Atividades adaptadas na escola para crianças com necessidades especiais.



A docência é uma atividade demasiadamente complexa justamente por basear-se na relação social entre pessoas tão diferentes entre si e com potencialidades para diversas áreas e cabe ao professor administrar todas estas complexidades e todos os outros fatores externos a sua sala de aula, mas que interferem substancialmente na sua relação de ensino aprendizagem que estabelece com seu alunado.

A intensificação da presença do aluno com deficiência na escola comum, tem colocado desafios. Essa presença, como Biaggio (2007) nem sempre tem sido vista de boa forma, isso porque falta experiência dos atores sociais envolvidos no processo de aprendizagem.


Desafios da escola inclusiva


Aprender envolve a percepção, por isso, o grande desafio da escola inclusiva é justamente construir uma história de interação com esses alunos de modo que se percebam indivíduos capazes de aprender.

Além da percepção do aluno como capaz, o professor que quer fazer de seu trabalho uma ação inclusiva terá que pensar na modificação de sua prática pedagógica. Mas como modificar essa prática? Essa é uma questão complexa e que depende do aprendizado intuitivo, afinal de contas, cada tipo de deficiência vai demandar práticas diferentes, além disso, duas crianças com o mesmo diagnóstico podem ter níveis de aprendizado diferentes, o que também pode demandar diferentes práticas.


Processo de adaptação de atividades para alunos com deficiência intelectual


Apesar da necessidade de entender a individualidade de cada deficiência, em cada aluno, é possível pensar em práticas mais gerais que podem ser úteis para o ensino de pessoas com deficiência. Sendo assim, nosso foco aqui está na apresentação de atividades adaptadas para alunos com deficiências intelectuais de uma forma mais ampla.

Cabe dizer que o processo de adaptação de atividades tem como objetivo fazer com que o conteúdo fique o mais acessível possível, a principal forma de fazer isso é favorecer o processo de formação da imagem mental do conteúdo para os alunos.

Como roteiro, decidimos apresentar primeiro algumas dicas mais gerais para o processo de adaptação das práticas pedagógicas, e posteriormente falaremos na apresentação de algumas dessas atividades adaptadas na prática.


Dicas para o processo de adaptação de atividades


Em primeiro lugar, é interessante que o professor use objetos do interesse de coleções da criança para realizar atividades de categorização, classificação, agrupamento, ordenação, noções de conjunto e quantidade.

Outra ideia interessante é fazer uso de personagens do universo infantil e que despertem interesse na criança. É por isso que o uso de histórias é um recurso comum na prática de ensino de pessoas com deficiência. Quando usamos personagens podemos ativar habilidades de desenho, de construção do silabário, etc. Além disso, o professor também pode usar jogos temáticos com fins alfabetizantes.

Além disso, itens como fita crepe, tintas, carrinhos, carimbos e massinha estimulam a coordenação viso-motora e ainda são úteis para aprimorar as habilidades de preensão.

O professor também deve considerar a possibilidade de fazer uso de objetos reais e que façam parte do cotidiano dos alunos para ajudar no desenvolvimento de percepções e compreensão de medidas e suas variações de maneira eficaz. Para registrar essas atividades o educador deve prezar pelo uso de desenhos e posterior atribuição de significado numérico.

Outra dica interessante é o uso do geoplano para ensinar noções de geometria, além do conteúdo, essa ferramenta também ajuda no desenvolvimento da percepção dos alunos.

Materiais como encartes, por exemplo, podem ser aproveitados para elaborar quebra-cabeças. Isso ajuda os alunos a desenvolverem suas percepções de posições no espaço.


Atividades adaptadas e prática pedagógica


Agora que já falamos de dicas mais gerais, vamos conversar um pouco sobre atividades específicas que podem ser feitas para ajudar no desenvolvimento de alunos com deficiência.

Atividade 1: Acrescentar “H” nas palavras e observar nova formação


Esse é um exemplo de atividade muito interessante, principalmente quando o aluno com deficiência está no nível de silábico alfabético. O objetivo da atividade é adicionar a letra “h” em palavras como, por exemplo, “vela”, nesse caso seria formada a palavra “velha”. Esse é o tipo de tarefa que requer um certo avanço no nível alfabético, e que pode causar dificuldades para crianças com deficiência. Como alternativa, o professor pode usar o apoio de imagens, o que vai ajudar a criança a entender melhor o processo de transformação do significado das palavras em questão.


Atividade 2: Formação de palavras de forma lúdica


Na hora de ajudar a criança a formar palavras o professor pode usar de elementos que usualmente não são relacionados ao processo de alfabetização, mas que vão fazer com que o aluno tenha maior interesse. Um exemplo é o uso de pinos plásticos de boliche com diferentes sílabas, o professor deve então pedir para que o aluno faça combinações com esses pinos. É ainda possível usar qualquer outro elemento de interesse da criança, bonecas, carrinhos, etc.

Esses são só alguns exemplos de como atividades podem ser adaptadas considerando o desenvolvimento cognitivo de crianças ou adolescentes com deficiências ou déficits de aprendizagem. A chave para pensar nessas práticas é considerar o nível de desenvolvimento do aluno, quais barreiras precisam ser removidas para tornar uma atividade possível e quais recursos podem ser trabalhados para estimular esse desenvolvimento.

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